Hora da Virada

Espero que esse fim de ano sirva para recarregar as baterias, e renovar minha esperança de que eu e o resto do mundo vão melhorar ao invés de piorar.
Encontrei um relato, que traduzi abaixo, de um professor do Reino Unido, contando sua experiência com alunos durante os anos em que lecionou na universidade. O impressionante é o quanto a carapuça me serve. Pode ser que ele esteja descrevendo você também, ou alguém que você conhece. Recomendo a leitura, e para passar a quem estiver em situação semelhante.
Carta do professor ao aluno brilhante
“Todo professor que tem tempo de serviço provavelmente graduou centenas, senão milhares de estudantes. Muitos dos rostos desaparecem em um borrão. Isso pode ser embaraçoso quando algum antigo estudante o chama pelo nome e você não faz realmente idéia de quem ele ou ela é. Tanto é agradável ser relembrado quando é embaraçoso admitir que você não consegue reconhecer com quem está conversando.
Mas alguns rostos você se lembra, estudantes que fizeram um projeto sob seu comando. Além disso, duas categorias: os muito bons e os muito ruins. Brilhantismo e fracasso ficam na mente. E uma das coisas mais estranhas, e é realmente o porquê de estar escrevendo esse texto, é de que existem estudantes que caem nas duas categorias. E aqui uma outra confissão. Eu sempre gostei desses estudantes e tive forte simpatia por eles.
Fracasso não é nada novo na vida. Frequentemente tive estudantes que falharam miseravelmente por não outra razão além do fato de terem pouca habilidade. Isso não é novo. O que é novo é que no Reino Unido, nós agora graduamos vários estudantes como estes. Mas isso é uma estória diferente e não vou pegar esse caminho.
Eu quero olhar para os brilhantes fracassos. Porque brilhantismo e fracasso estão tão comumente misturados que a nossa reação inicial é de que não o deveria ser. Mas acontece, e acontece de monte. Porque?
Bem, para entender isso, nós temos que voltar para antes da universidade. Vamos voltar para o colegial e olhar um brilhante fracasso em fabricação. Você logo vai compreender o tipo de pessoa que estou falando. Quase todo colegial tem um desses a cada ano.
Geralmente o que estamos falando é de um estudante além dos padrões. Alguém acostumado a se sair bem na maioria de suas tarefas, de fazer coisas no último minuto mas ainda sim fazê-las bem. Em certo nível ele não leva a coisa toda muito à sério porque, quando você vê de perto, várias regras na escola são bem estúpidas. Em fato, várias coisas no nosso mundo não fazem muito sentido, se você analisar com uma mente fresca.
Então nós temos dois aspectos dessa pessoa: acuidade intelectual e não levar as coisas a sério. A parte de não levar as coisas a sério é por achar tudo meio fácil, ou um pouco bobo. Realizar isso é perceber que várias outras atividades humanas também não fazem sentido. E quando você realiza isso, e internaliza isso, você se torna cínico e um pouco triste, afinal você também é pego dentro dessa máquina e tem que jogar o jogo se quiser ir adiante. Jovens são bons para detectar esse tipo de absurdo. É também a semente de uma doença: uma melancolia que pode se aprofundar mais tarde na vida e virar depressão.
Outro aspecto dessa pessoa é sua baixa tolerância à mesmice. Ele irá pegar uma tarefa e trabalhar arduamente nela, alcançando maravilhas em um curto período de tempo, e então ficar chateado e largar antes de terminar totalmente. Então ele não fará nada além de arranhar algo na sua guitarra e ficar na cama por vários dias seguidos. Isso é parte do padrão: períodos de atividade frenética seguidos por períodos de melancolia, descanso e inatividade. Essa é uma personalidade bipolar.
Tudo bem até aqui? Ok, vamos graduar essa pessoa e acompanhá-la até a universidade. O que acontece então?
Aqui nós temos duas estórias, uma boa e outra ruim.A estória boa é que ele fica realmente excitado pela área que escolheu e vai se graduar summa cum laude (com a maior das honras), como esperado de seu brilhantismo.
Mas essa não é a estória que eu quero olhar agora. Eu quero olhar a história ruim. Na qual brilhantismo e fracasso se misturam.
Essa é a estória na qual o estudante começa a reconhecer que a universidade, assim como a escola, é falsa em muitas maneiras. O que salva a universidade geralmente é a beleza do assunto, como construída por grandes mentes. Mas se você apenas olhar os professores e não olhar além de suas obessões com suas publicações sem sentido e pouco lidas (e legíveis) para a grande universidade invisivel da mente, você provavelmente irá concluir que isso é falso como tudo o mais. E é.
Mas vamos continuar na estória do estudante.
Agora a maior diferença entre a escola e a universidade para o jovem é a Liberdade. Liberdade dos pais, liberdade para fazer a sua própria coisa. Liberdade para ferrar tudo pra valer. Então nosso herói começa uma nova vida e descobre que pode fazer tudo o que quiser. Ficar bêbado, sair por aí às 3:00 da manhã. Então ele vai para a a cidade e confia em seu brilhantismo natural para levá-lo através porque, afinal, isso funcionou na escola. E funciona, por um tempo.
Mas esse brilhantismo não é o bastante. É necessário ser aplicado também, pois o material na universidade é mais difícil. Então rapidamente nosso homem está levando um B+, alguns Bs, e então Cs nas suas tarefas. Ele passa por sentimentos alternados de fracasso cortando através de sua auto-segurança. Ele ainda consegue ficar acordado até às 5:00 da manhã e terminar seu trabalho antes do prazo das 9:00 da manhã, mas o que ele tem em mãos não é tão bom. Ou talvez ele não caia na bebida, mas em alguma digressão mental de seus estudos e que o leva muito além do foco.
Esse tipo de estudante costumava atravessar meu caminho de vez em quando, no fundo da classe. Um deles tinha “Chateado>” no prompt de seu computador. Se eu encontrava um desses eu geralmente me entendia bem com eles (de fato, eu resgatei um e hoje ele é um professor, e miserável porque está cercado de hipócritas, mas, hey, o que você poderia fazer?). Geralmente ele voltaria a vida no projeto de final de ano onde ele podia fazer sua coisa e trazer algo muito, muito bom. Algo que mostraria (wow!) originalidade. E vários professores não o dariam uma nota justa por isso - e porque o estudante era conhecido por estar sempre raspando no final da lista.
Comumente esse tipo de estudante não chega ao final. Ele decide por abandonar. Ele termina na máquina de refrigerante ou trabalhando na praça, mas a todo tempo lendo e estudando porque uma mente boa está sempre com fome.
Porque isso tudo? Bem, em parte, por causa da visão. A visão, é uma das forças desse tipo de pessoa. Ele pode ver além - de fato, muito além do que a sua força o permite ir. Ele concebe ambiciosos projetos que requerem grandes recursos, e entre neles apenas até perder o vapor. Não que ele seja preguiçoso, seus recursos é que são insuficientes. “
Cara……perfeito…..
Me identifiquei bastante… a escola não se adapta aos alunos, são os alunos que tem de se adaptar à escola….aí perde-se muito brilhantismo.