freak’s blog

por Henrique C. Alves

Mais (mais) um exemplo do que é Software Livre no Brasil

com 9 comentários

Só para aproveitar o gancho. Prometo que o próximo post será menos “político”. ;)

Acredito que todos devem ter visto sobre a carta aberta do autor do software JeguePanel para a “comunidade”.

Mas não foi nem isso que me deixou abalado. O que me deixou abalado foi ser encaminhado para este post em um dos blogs coletivos sobre tecnologia mais lidos no Brasil.

Primeiro, que se esse é um dos blogs de tecnologia mais lidos no Brasil, estamos com uma forte carência de material na “blogosfera” – está mais parecendo um daqueles programas ruins de auditório, onde se fatura polemizando “após os comerciais”. Mas enfim, essa é uma ressalva que não cabe aqui.

Segundo, e bem mais importante, é que há 283 comentários, a maioria fazendo piada sobre o projeto e, mais especificamente, o nome do projeto.

Parodiando o título do post do Meiobit, acho que ISSO sim, sintetiza bem o que é Software Livre no Brasil.

Enquanto um brasileiro faz piada do projeto do JeguePanel ou aponta o modelo de software livre como causa do fracasso, hoje mesmo, a Trolltech, empresa Norueguesa, de nome tão inusitado quanto o país de origem, que tem como principal produto uma tecnologia licenciada sob GPLv3, é comprada pela Nokia por 105 milhões de euros.

E aí? Será que um produto ser software livre, ter um nome estranho, ou ter origem em um país sem muita tradição na informática é um impecilho para o seu sucesso? Parece que não.

Escrito por Henrique C. Alves

28 Janeiro 2008 às 11:42 pm

Publicado em Linux, Notícia, Opinião

9 Respostas

Subscreva aos comentários comRSS.

  1. Vale lembrar q o QTopia (provável área de interesse da Nokia) usa *dual license”. Ou seja, no mínimo o pessoal da Trolltech é bem pragmático.

    Sobre a ressalva, note q muitos ali comentam sem sequer conhecer o conceito de Software Livre.

    [ ]s

    Olival Jr

    29 Janeiro 2008 em 12:42 am

  2. Olival, assim como Qtopia, Qt também tem mais de um modelo de licensiamento – GPLv3 para quem vai usar em softwares abertos (não necessariamente GPL), e licensiada através de uma taxa para quem vai usar em software proprietário. E não é nem “versão capada”, é a mesma Qt, com a mesma qualidade em ambos os casos.

    Henrique C. Alves

    29 Janeiro 2008 em 12:56 am

  3. Excelente post… Concordo com você… Na minha opinião o Timm não passa de um troll. Aquele post do Timm, além de bem contraditório e não ter nada a ver com a realidade, tem o perigo de formar nos mais leigos no assunto a opinião errada…. E contra esse tipo de gente que precisamos mais do que tudo lutar, pois são esses que mais atrapalham o andamento do Software Livre e das comunidades….

    Abraços
    do Terrinha

    terramel

    29 Janeiro 2008 em 1:47 am

  4. Henrique,

    A questão aqui não é lançar uma versão “capada” (aliás, boa parte dos q fazem isso *não* são realmente livres – vide SugarCRM).

    A questão é q dá a impressão q algumas empresas só conseguem ganhar dinheiro dessa forma, licenCiando a tecnologia sob uma forma proprietária junto com a livre.

    A TrollTech consegue ganhar dinheiro com a Qt GPL? Ainda por cima GPL v3, q inibe determinados uso por fabricantes de hardware (leia-se “Tivoização”)?

    Ou será q só a Red Hat ganha dinheiro com produtos GPL (v2) pra valer?

    [ ]s,

    olival.junior

    Olival Jr

    29 Janeiro 2008 em 8:55 am

  5. Isso é para você ver a credibilidade do 1/2 bit. Simplesmente não precisaria apelar para aquilo. Por isso deixei, há tempos de acessar o site.
    Respeito muito a opinião do Timm, principalmente dos textos q ele posta em seu blog pessoal. Mas há uma diferença muito grande entre dizer que o “Stallman come cocô” num blog pessoal e dizer o mesmo num site do porte do meiobit. E a questão maior é o fato de o site ter aceito um texto daquele.
    Para isso mesmo que você disse: É a marcia gostimiti na Web 2.0.

    ;-)

    tenchi

    29 Janeiro 2008 em 10:39 am

  6. Pessoal, obrigado pelos comentários.

    Olival: “A TrollTech consegue ganhar dinheiro com a Qt GPL? Ainda por cima GPL v3, q inibe determinados uso por fabricantes de hardware (leia-se “Tivoização”)?”

    O caso da Trolltech é bem específico, porque ela vende uma plataforma de desenvolvimento, e não um produto final, portanto, ela ganha dinheiro com o Qt. Não existe “Qt GPL” e “Qt comercial”, porque o produto é o mesmo. Por exemplo, ela não fatura com o KDE, mas o KDE é uma espécie de laboratório e vitrine pra mostrar que a tecnologia funciona. Aí quem está interessado numa tecnologia multiplataforma, e vai usar num produto fechado, usa a Qt – vide Opera, Skype, Last.fm, etc. Mas ainda é o mesmo produto. Concorda?

    Obrigado pelo comentário inteligente e por estimular a discussão!

    Henrique C. Alves

    29 Janeiro 2008 em 1:11 pm

  7. Henrique: “e vai usar num produto fechado, usa a Qt – vide Opera, Skype, Last.fm, etc. Mas ainda é o mesmo produto. Concorda?”

    Eu não disse q eram “produtos” diferentes.

    A questão está justamente no q vc falou depois: a plataforma livre é “laboratório” e “vitrine”, mas quem paga as contas é o pessoal q usa o Qt em um produto fechado (usando licença proprietária, portanto).

    É o mesmo modelo da MySQL AB, q acabou sendo comprada pela Sun. Modelos de dual-licensing trazem uma “incômoda” situação (em termos de ética de Software Livre) pq, na prática, servem para gerar outros produtos proprietários, algo q não deixa de ser desaconselhado pelo pessoal mais “purista” do SL.

    Citei a Red Hat pq o modelo dela é de serviços sobre um produto GPL, embora ela dificulte deveras a redistribuição de seus binários, os fontes estão circulando por aí, mantendo o fluxo do conhecimento. A jBoss seguia princípio similar (embora eu ache q a licença fosse outra), e acabou sendo comprada pela Red Hat.

    E aí fica a dúvida: quem mais consegue sobreviver (e crescer) com um modelo de serviços sobre GPL?

    [ ]s,

    olival.junior

    Olival Jr

    29 Janeiro 2008 em 2:43 pm

  8. Olival, agora sim eu entendi o que você quis dizer: faturar diretamente do software GPL.

    Acho que só trabalha assim quem desenvolve soluções customizadas, por exemplo, um sistema, e vende para o cliente junto do código fonte. Vender software GPL em caixinha, no mesmo molde do proprietário, não faz sentido.

    Os modelos de negócio que eu vejo em cima de GPL em geral ou é como da Trolltech (usa a comunidade de laboratório, ganha dinheiro com o proprietário), ou é como você citou, da Redhat, baseado em serviços. Acho que esses são os modelos viáveis.

    Agora, realmente, se há quem ache que o modelo da Trolltech é “anti-ético”, porque a tecnologia é usada também em software proprietário, já entra no campo do “besteirol” – pior que eu tenho certeza que alguém pensa assim. ;)

    Eles dão uma ótima plataforma para se fazer software livre, ao mesmo tempo que usam o feedback dos desenvolvedores pra melhorar o produto e vender para quem usa em software proprietário, que por sua vez poderá rodar sua aplicação em plataformas abertas. É uma situação ganha-ganha.

    Henrique C. Alves

    29 Janeiro 2008 em 4:00 pm

  9. ‘Enquanto um brasileiro faz piada do projeto do JeguePanel ou aponta o modelo de software livre como causa do fracasso, hoje mesmo, a Trolltech, empresa Norueguesa, de nome tão inusitado quanto o país de origem, que tem como principal produto uma tecnologia licenciada sob GPLv3, é comprada pela Nokia por 105 milhões de euros.’

    Killer-argument :D E sim, de fato, a blogosfera possui exemplares que se assemelham aos programas de auditório dominicais em termos de qualidade e audiência.

    KurtKraut

    3 Fevereiro 2008 em 11:07 pm


Deixe uma resposta