freak’s blog

Mais (mais) um exemplo do que é Software Livre no Brasil

Enviado em Linux, Notícia, Opinião by Henrique C. Alves em Janeiro 28th, 2008

Só para aproveitar o gancho. Prometo que o próximo post será menos “político”. ;)

Acredito que todos devem ter visto sobre a carta aberta do autor do software JeguePanel para a “comunidade”.

Mas não foi nem isso que me deixou abalado. O que me deixou abalado foi ser encaminhado para este post em um dos blogs coletivos sobre tecnologia mais lidos no Brasil.

Primeiro, que se esse é um dos blogs de tecnologia mais lidos no Brasil, estamos com uma forte carência de material na “blogosfera” - está mais parecendo um daqueles programas ruins de auditório, onde se fatura polemizando “após os comerciais”. Mas enfim, essa é uma ressalva que não cabe aqui.

Segundo, e bem mais importante, é que há 283 comentários, a maioria fazendo piada sobre o projeto e, mais especificamente, o nome do projeto.

Parodiando o título do post do Meiobit, acho que ISSO sim, sintetiza bem o que é Software Livre no Brasil.

Enquanto um brasileiro faz piada do projeto do JeguePanel ou aponta o modelo de software livre como causa do fracasso, hoje mesmo, a Trolltech, empresa Norueguesa, de nome tão inusitado quanto o país de origem, que tem como principal produto uma tecnologia licenciada sob GPLv3, é comprada pela Nokia por 105 milhões de euros.

E aí? Será que um produto ser software livre, ter um nome estranho, ou ter origem em um país sem muita tradição na informática é um impecilho para o seu sucesso? Parece que não.

Nokia abraçando o open-source: agora é o Qt

Enviado em Notícia by Henrique C. Alves em Janeiro 28th, 2008

Saiu no Planet KDE, no BR-Linux, e claro, no site da própria Trolltech: Nokia adquire a Trolltech, no intuito de usar a tecnologia Qt para desenvolvimento multi-plataforma.

Uma coisa que me chamou a atenção é que parecem fazer questão de tornar tudo transparente. No link original, consta que a Nokia considera a missão atual da Trolltech (em produzir e licenciar de formas diferentes, comercial e open-source), e que não vai interferir nisso.

A Nokia já possuia o SDK Maemo, baseado em GTK+/Gnome (e que vem naquela belezinha de N810). Fico curioso em saber qual seria o motivo em adquirir também a Trolltech. Será que o Maemo não deu o resultado esperado, será que querem expandir o know-how em tecnologias abertas para multi-plataforma, ou será que querem manter 2 frentes com tecnologias diferentes, por motivos estratégicos (e para competir com o Android, do Google / Open Handset Alliance)?

De qualquer forma, essa é uma ótima notícia. Até agora, já temos 2 grandes empresas adotando plataformas abertas para celulares. Eu particularmente vejo muitas vantagens, tanto como usuário final, como desenvolvedor e para o mercado em geral. Plataformas abertas são mais estáveis e o fator tempo/custo para “pequenos notáveis” produzirem aplicações inovadoras é menor.

Infelizmente, enquanto isso a mídia adora catapultar o iPhone, uma plataforma em que você precisa “hackear” o aparelho para conseguir fazer alguma coisa, e a empresa fabricante ainda tenta te sabotar. Pena. ;)

Rails Rants

Enviado em Opinião, Programação by Henrique C. Alves em Janeiro 25th, 2008

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Dê uma olhada nos comentários do post sobre o release do Rails 2.0.2:
http://weblog.rubyonrails.org/2007/12/17/rails-2-0-2-some-new-defaults-and-a-few-fixes

De quase 100 comentários, 90% é de alguém reclamando, ou colocando debug info e esperando que alguém ajude a arrumar a sua aplicação quebrada depois da atualização (aliás, a seção de comentários é o PIOR lugar para se pedir ajuda).

O que isso me leva a crer?

Primeiro, que o estrelismo dos desenvolvedores do Rails vai cada vez mais voltar na forma de ofensas, agora que o hype diminuiu e que aquela aura de “web development made easy” pode ser arranhada com o menor dos problemas. Muita gente está adotando o Rails, e os desenvolvedores opinados™ vão continuar a fazer mudanças ao sabor do vento. Não entrando no mérito se isso é correto ou não, mas sim para ressaltar que é uma briga eterna para saber quem é o usuário do software: os próprios desenvolvedores ou o resta do mundo que usa? Será que os desenvolvedores tem alguma responsabilidade, apesar de não ser obrigada por nenhum termo ou contrato?

Segundo, que o projeto atraiu um público alvo que claramente não sabe como funciona um projeto opensource. Eles foram apresentados à ferramenta, mas não absorveram os conceitos de boas maneiras e comportamento. O resultado é uma catástrofe: quando a pessoa encontra uma dificuldade, ao invés de ler os release notes, se dirigir ao fórum/mailing-list, ou fuçar até descobrir o que há de errado, prefere choramingar na seção de comentários de um blog e amaldiçoar o projeto até a morte.

Enfim, estou curioso para saber qual será o futuro do Rails. Recentemente existiu um affair, buscando levar o Rails para o mundo corporate. Mas se o projeto ainda toma atitudes muito “radicais” (e gosta de marketear isso), e não apresenta nenhum tipo de responsabilidade com legado e com os outros, isso inviabiliza a adoção em massa. Para uma coisa o Rails serviu: motivou muitos outros projetos semelhantes, em diversas linguagens. As coisas vão ficar interessantes daqui pra frente. ;)